16 de março de 2026

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por: Milton Medusa

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Categorias: Artigos sobre Guitarra

Os guitarristas solo do Kiss: Vinnie Vincent

Olá, pessoal!

Espero que estejam bem, com saúde e curtindo aquele som!

Dando continuidade ao tema proposto, agora é a vez de falar do segundo guitarrista solo oficial do Kiss, Vinnie Vincent. Sim. Guitarrista oficial, pois é do conhecimento dos fãs da banda que alguns “músicos fantasmas” foram utilizados em várias gravações, incluindo o próprio Vinnie. Então, vamos enfatizar o seu trabalho com a banda, que foi por um período curto, mas marcante.

And on the 8th day God created rock and roll!

Abraços,

Medusa.

                                                                             Vinnie Vincent

Vinnie Vincent tem uma relação muito forte com a minha geração, pois na primeira tour do Kiss ao Brasil, em 1983, ele era o guitarrista solo e, sendo assim, um dos responsáveis por transformar a vida de diversos garotos e garotas que se apaixonaram pelo rock pesado, inclusive este que vos escreve. Me lembro dos outdoors do show espalhados na baixada santista, a minha região, e sua imagem estava estampada lá. Isto é um registro muito forte para quem estava mergulhando no rock pesado naquela fase, além do fato de eu ainda não conhecer o passado da banda, só vindo a saber de Ace Frehley através de uma das muitas revistas que foram lançadas na época.

O show no Rio de Janeiro foi transmitindo pela Rede Globo em um especial vespertino e este programa foi marcante para todos nós. Eu tinha apenas dez anos e chorei sem parar até a minha mãe comprar o álbum “Creatures Of The Night”, neste mesmo dia, por exemplo.  Acontece que na capa do álbum estava a imagem de Ace Freheley, que nem chegou a gravar algo,  mas a maioria das faixas foi gravada pelo Vinnie, que acabou ficando com a vaga após a gravações.

O Kiss estava retomando às suas raízes mais pesadas e se adaptando ao hard/heavy praticado no início da década de 1980, então, sem dúvida alguma, Vinnie Vincent foi o guitarrista ideal para tal, devido a ser um músico tarimbado, que dominava as técnicas e linguagens modernas de guitarra de então, além de ser um ótimo compositor, também.

Na minha opinião, ele elevou muito o nível de execução das guitarras na banda, tanto nos riffs como nos seus incríveis solos, já que estava em sintonia com os modelos de guitarras e efeitos em voga, trazendo novos timbres e texturas para o Kiss, que se encaixaram perfeitamente com a proposta da banda.

As suas qualidades como guitarristas são muitas: precisão, clareza e definição na execução; timbres mais hards e similares aos de Eddie Van Halen, a principal referência da década de 1980; a boa aplicação de patterns; o domínio da técnica de two-handed tapping; a utilização perfeita da alavanca de trêmolo, combinando muito bem com seus bends afiadíssimos, além do uso de harmonias mais sofisticadas para o padrão básico da banda, entre outros.

Vale citar que ele utilizou guitarras Jackson modelo Custom V, que foram concebidas originalmente para Randy Rhoads, e com isso ele ajudou a popularizar este modelo de instrumento que fez muito sucesso por toda aquela década.

Ao vivo, sua performance era impressionante, principalmente quando interpretava os solos gravados por Ace Frehley, dando um novo frescor e peso à obra da banda. É fato que ele exagerava em seu tempo de solo individual e isto foi um dos principais motivos para a sua demissão, mas ele era uma atração a parte nos shows, sem dúvida.

Sua colaboração para o álbum “Lick It Up” (já sem a maquiagem) foi decisiva, devido a sua intensa participação nas composições e execução de quase 100% das guitarras gravadas. Só para destacar um solo, eu citaria o de “Fits Like a Glove”, uma canção similar a “Rock and Roll” (Led Zeppelin), porque ele lança mão de licks matadores, seja os mais simples ou complexos, principalmente nos breaks do final. Sua performance é excepcional e impressiona até hoje, mais de quarentas anos depois!

Realmente, é uma pena que seu ego e difícil convivência com os lideres da banda tenham feito sua permanência ser curta, porém, fundamental para a modernização do som da banda. Após o fim conturbado de seu projeto solo, Vinnie Vincent Invasion, ele chegou a compor novamente com a banda no álbum “Revenge” (1992), mas não chegou a gravá-lo, e, para variar, se desentendeu novamente com os patrões!

O que vale, afinal, é o legado que um artista deixa e isto ele fez muito bem, certamente.

Abraços,

Medusa.

 

  • Faixas recomendadas: Danger, Killer e War Machine (Creatures of the night); Not For The Innocent, All Hell’s Breaking Loose, A Million To One e Fits Like a Glove (Lick it up);
  • “Lick it up” – Kiss (1983):

https://www.youtube.com/watch?v=4e7QdsNEqrg&list=OLAK5uy_lvoCntkgRBgcm5FiWiYKfvnCcN7YE2Ug4&index=2