7 de março de 2026

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por: Milton Medusa

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Categorias: Artigos sobre Guitarra

Os guitarristas solo do Kiss – Parte 1

Olá, pessoal!

Espero que estejam bem, sempre curtindo boa música!

Assim como muitos da minha geração, a primeira tour do Kiss ao Brasil, em 1983, nos pegou em cheio e muitos daqueles garotos e garotas que curtiam rock se inspiraram nos então mascarados, para empunhar uma guitarra e seguir na estrada. Aos poucos, fui conhecendo sua discografia e ouvi cada disco seguidas vezes por muitos anos. Da mesma forma, fui acompanhando a troca constante de guitarristas solo naquele período, cerca de quatro em pouco mais de dois anos!

Então, referências não faltam para analisar a obra destes heróis da guitarra e vou iniciar pelo membro original e recentemente falecido, Ace Frehley. Por uma questão de critério, não vou incluir o Paul Stanley, responsável pelas bases e que até gravou alguns solos, pois vou me concentrar nos solistas por ofício.

Let me go rock and roll!

Abraços,

Medusa.

 

Ace Frehley

Foto: capa do álbum Alive I (1975).

 

Muito mais que um guitar heroe dos anos 1970, Ace Frehley foi um verdadeiro impulsionador da carreira de diversos futuros guitarristas americanos, sobretudo, e no mundo inteiro, devido a verdadeira febre rockeira que o Kiss causou no seu auge. Nomes importantes como Kirk Hammet, Marty Friedman, Scott Ian, Dimebag Darrell (in memoriam) e Andy Timmons, consideram o “Space Man” como o seu maior ídolo da guitarra e estes nomes por si só, já atestam a sua relevância na história da guitarra contemporânea.

Penso que o personagem que ele representava, lançando chamas pela guitarra e fazendo-a voar, por exemplo, causou um verdadeiro frisson nessa garotada dos anos 1970, somado, claro, a sua técnica, sonoridade e criatividade sem igual.

Acredito ser um senso comum comentar a respeito da sua habilidade em criar solos repletos de licks velozes na escala pentatônica, mas não vou me ater somente a este tópico, pois prefiro destacar, também, a sua interpretação e o uso de riffs cheios de swing.

O Ace fez muito com sua guitarra Gibson Les Paul plugada num amplificador Marshall e , eventualmente, utilizando um pedal de Wha. Na verdade, o som orignal do Kiss é cru, no estilo rock básico e enfatizando a canção. E é aí que está o ponto forte do Ace, pois todos os seus riffs são cheios de swing, seja com power chords ou com single notes, já que ele sempre trabalhou muito bem a parte rítmica, valorizando bastante canções simples.

Quanto aos seus solos, cabe um capítulo a parte, pois, mesmo com o seu citado domínio dos licks pentatônicos, ele sempre valorizou cada solo como uma verdadeira composição, por desenvolver tão bem a sua construção. Sendo assim, suas interpretações foram ricas na utilização de bends (muitos!), vibratos e ligaduras, sempre muito afinados, tornando cada nota tocada com uma propriedade única!

Posso destacar solos como o de “Let me go rock and roll”, um verdadeiro tratado de licks eletrizantes e cheios de dinâmica, o de “Strange Ways” e a ótima utilização do pedal de Wha, a introdução de “Speeding back to my baby” (que dobras de riffs!) e, sem dúvida alguma, o solo de “Schock me”, no Alive II, que penso ser o ápice da sua evolução técnica com o uso pioneiro da técnica de two-handed tapping, algo que seria explorado ao extremo por Eddie Van Halen pouco tempo depois (eram contemporâneos, afinal).

Bem, poderia citar muito mais sobre ele, como a sua carreira solo que gosto muito, por exemplo, mas prefiro terminar esse texto dizendo que se você ainda não conhece o seu primeiro álbum solo (1978), faça isso agora mesmo e ouça um autêntico disco de rock and roll, um dos melhores da década de 1970, certamente!

Abraços,

Medusa.